NOTÍCIAS
Dia Internacional de Luta da Mulher, neste 2026, tem pautas urgentes em defesa da vida
Rosângela Ribeiro Gil
Redação ABCP
Oito de Março – 8M – nasceu da luta de operárias em defesa da vida. Para além do batom ou da rosa que possam nos presentear, a data não está relacionada a nenhum tipo de vaidade ou apaziguamento. O Dia Internacional da Mulher surgiu da agitação, da revolta e para fincar a bandeira em defesa de respeito, justiça e direitos trabalhistas e sociais!
São diversas as frentes que tentam reconstruir o surgimento da data. Uma delas fala sobre a greve histórica em Petrogrado iniciada por trabalhadoras russas em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano), exigindo "pão e paz" contra a fome e a Primeira Guerra Mundial. A data foi oficializada pela ONU em 1975, simbolizando a luta por igualdade de direitos.
Vale, ainda, mostrar uma outra face da luta das mulheres, conforme artigo de Patrícia Santos, no site “Alma Preta” [para ler todo o texto, que vale muito a pena, clique aqui]. Explica ela:
Décadas antes, em 1851, a afro-americana abolicionista e ex-escrava Sojourner Truth fez um discurso na 1ª Convenção Nacional pelos Direitos das Mulheres em Ohio (EUA) que trouxe à tona as camadas sociais que colocam as mulheres negras em um lugar de maior vulnerabilidade, expondo os discursos racistas, classistas e sexistas da hegemonia branca masculina e também das mulheres brancas que lideravam os movimentos por direitos iguais.
“Dei à luz treze crianças e vi a maioria delas sendo vendida como escrava, e quando gritei a minha dor de mãe, ninguém, a não ser Jesus, me ouviu! E eu não sou uma mulher?”, questionou Sojourner, na ocasião.
Passados mais de 170 anos do discurso da ativista, mulheres negras ainda chamam atenção para a valorização das interseccionalidades no debate sobre os direitos das mulheres.
Uma das questões levantadas nesse debate é o fato de as mulheres negras serem mais atingidas pela violência que as brancas, devido a fatores como maior vulnerabilidade.
Um levantamento recém divulgado pelo Instituto Sou da Paz, por exemplo, aponta que as mulheres pretas e pardas representam sete de cada dez mulheres assassinadas por arma de fogo no Brasil.
As negras brasileiras também são mais afetadas pelas desigualdades na educação, no mercado de trabalho, na renda e na representatividade política do que as brancas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O viés da interseccionalidade também permeia a luta das mulheres trans. O Brasil é o país que mais mata essa população, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).
Ainda estamos sendo mortas
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 [para obter mais informações sobre a pesquisa, você pode acessá-lo ao clicar aqui], o país registra 240 estupros diários e quase 1.500 feminicídios anuais. O cenário coloca o Brasil em quinto lugar no triste ranking mundial de assassinatos de mulheres e, em 1º lugar, em assassinatos de pessoas trans.
A violência contra a mulher no Brasil afeta de forma especialmente dura as mulheres pretas e pobres devido a uma combinação de fatores históricos, sociais e econômicos. Essas mulheres enfrentam maior vulnerabilidade por conta do racismo estrutural e da desigualdade socioeconômica, que limitam seu acesso a oportunidades, educação e serviços públicos, incluindo proteção policial e assistência jurídica adequada. Além disso, a discriminação múltipla — de gênero, raça e classe — contribui para a invisibilidade dessas vítimas e dificulta a denúncia e o acolhimento em situações de violência.
O contexto de marginalização social faz com que mulheres pretas e pobres estejam mais expostas a ambientes de risco e dependam, muitas vezes, de relações de poder desiguais, o que aumenta a incidência de violência doméstica e outras formas de agressão. A falta de políticas públicas efetivas e a reprodução de estigmas também perpetuam esse cenário, tornando urgente o combate às desigualdades para garantir uma vida digna e segura a todas as mulheres brasileiras.
Interseccionalidade
A interseccionalidade é um conceito fundamental para compreender as diferentes formas de opressão e desigualdade enfrentadas pelas mulheres. Ela reconhece que fatores como raça, classe, orientação sexual, deficiência e identidade de gênero não atuam isoladamente, mas se entrelaçam, impactando a vida das mulheres de maneiras diversas e complexas. Ao analisar a luta das mulheres sob a perspectiva intersecional, torna-se possível identificar que nem todas vivem as mesmas experiências ou enfrentam os mesmos desafios, mesmo dentro do movimento feminista.
Esse olhar mais amplo permite que políticas, ações e debates sejam mais inclusivos, contemplando as necessidades específicas de grupos historicamente marginalizados. Por exemplo, mulheres negras, indígenas, trans ou com deficiência têm demandas e obstáculos singulares, muitas vezes invisibilizados pelos discursos tradicionais. Portanto, a intersecionalidade é essencial para construir uma luta mais justa, plural e eficaz, fortalecendo o movimento das mulheres ao garantir que ninguém seja deixado para trás.
Fim da escala 6x1
Como o Dia Internacional da Mulher nasceu da luta de operárias no mundo [conhecer para não repetir informações falsas, por isso, indicamos a leitura de trabalho sério e importante realizado pelo Núcleo Piratininga de Comunicação sobre a origem da data, clique aqui], a manifestação deste domingo, em Santos, também tem entre suas bandeiras o fim da escala 6x1 e a revogação das reformas trabalhista (2017) e previdenciária (2019). A bandeira sobre mudanças no mundo do trabalho é fundamental diante de um mundo que vem impondo retrocessos nas conquistas dos/as trabalhadores/as ao longo do século.
Recentemente, inclusive, vimos ser aprovada a destruição de direitos trabalhistas comandada pelo presidente argentino Milei [para saber mais sobre o assunto, indicamos a leitura de reportagem do ICL, neste link] que significa profundo retrocesso nas condições de trabalho e de vida do povo argentino. O golpe já tinha sido dado por Milei contra os aposentados e pensionistas daquele país, cortando proventos e acabando com direitos.
Imperialismo é guerra
Imperialismo descreve a prática de um país impor sua influência e poder sobre outros territórios, seja por meio do domínio político, econômico ou militar. Esse domínio geralmente ocorre visando o controle de riquezas, mercados e mão de obra e provoca desigualdades, miséria, mortes, extermínio etc. Para os governos imperialistas, como os Estados Unidos e Israel, vidas não importam. Mata-se o que for preciso para obter poder sobre territórios, recursos e nações.

O imperialismo tem sido (ir)responsável por inúmeros conflitos e guerras ao redor do mundo. Atualmente, observamos que o intervencionismo de países como os Estados Unidos e Israel no Oriente Médio contribui para a perpetuação da instabilidade regional, resultando em sofrimento humano, violações de direitos e destruição de nações inteiras. Hoje vemos o ataque ao Irã e Líbano, e também à Palestina.
As ações imperialistas desprezam a soberania dos povos e alimentam ciclos de violência, deslocamento de populações e crises humanitárias. É fundamental denunciar e resistir a essas práticas, buscando alternativas diplomáticas e solidárias para a resolução de conflitos, pautadas no respeito mútuo e na autodeterminação dos povos.
A história mostra que o imperialismo, ao impor seus interesses sobre diferentes povos, promove a violência e o sofrimento em escala global. Para superar essa realidade, é necessário fortalecer uma cultura de paz, baseada no diálogo, na cooperação internacional e no respeito às diferenças. A busca pela justiça e pela reconciliação deve orientar nossas ações, reconhecendo o direito de cada nação de decidir seu destino sem interferências externas.
Os governos ditadores dos Estados Unidos

O imperialismo dos Estados Unidos impôs sua influência política, econômica e militar sobre outras nações, especialmente após o final do século XIX. Esse fenômeno se manifestou por meio de intervenções diretas, violentas e sangrentas em países da América Latina, Ásia e Oriente Médio, bem como pela promoção de interesses comerciais e culturais em escala global. Recentemente, estamos vendo as guerras e conflitos promovidos pelo ditador Trump – no genocídio do povo palestino, no sequestro de Nicolás Maduro, da Venezuela, e, agora, no Irã.
Entre os exemplos históricos mais conhecidos estão a Guerra Hispano-Americana de 1898, a ocupação de territórios como Porto Rico e Filipinas, além das intervenções militares em países como Cuba, Vietnã e Iraque. O imperialismo norte-americano também se expressa por meio de acordos econômicos, empresas multinacionais e influência diplomática, moldando políticas e mercados internacionais segundo seus interesses.
Esse processo significa exploração e destruição de recursos naturais, de pessoas e de cultas, além da imposição de valores culturais e a interferência em processos políticos locais.
8M26 em Santos
Neste domingo, 8 de março, o movimento de mulheres da Baixada Santista realiza o ato unificado 8M2026. Sob o lema "Nos queremos vivas! Pelo fim do machismo, do racismo e do imperialismo", a manifestação terá concentração, logo pela manhã, às 9h, na Praça das Bandeiras (Gonzaga), em Santos, e seguirá em caminhada a partir das 10h.

Entre as principais reivindicações do ato estão:
- Combate à Violência: Fim do feminicídio e da violência sexual.
- Direitos Trabalhistas: Fim da escala 6x1 e revogação das reformas trabalhista e previdenciária.
- Serviços Públicos: Contra a privatização e os cortes de verbas em abrigos e centros de acolhimento, exacerbados pelas gestões de direita na região e pelo arcabouço fiscal em nível federal.
- Justiça Reprodutiva: Defesa do aborto público, seguro e gratuito, e o direito à criação digna dos filhos, sem a violência do Estado.
Programação e intervenções artísticas
O ato deste ano contará com uma programação diversificada que une denúncia e arte. Para garantir a participação de mães e cuidadoras, haverá um espaço dedicado às crianças durante a concentração. Entre as atividades confirmadas estão:
- Apresentação do Baque Mulher Santos: Trazendo a força do maracatu para as ruas.
- Performance de Impacto: Uma instalação com sapatos simbolizando as vítimas de feminicídio e violência de gênero.
- Intervenções Culturais: Roda de Capoeira, Bateria Repicapau da Unifesp e apresentação do grupo de Teatro do Oprimido.
- Agitação e Propaganda: Leitura de jogral coletivo e exibição de cartazes com palavras de ordem contra o feminicídio e a precarização da vida.