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Este é o tema do curso do professor e historiador Lindener Pareto, que será realizado nos dias 16 e 27 de julho, das 19h às 20h30, no Espaço Cult (Praça Santo Agostinho, 70, 10º andar) e visita monitorada dia 1º de agosto, a partir das 10h
Redação ABCP
Olhar para a história de uma metrópole a partir de seus mortos e de como a sociedade escolheu sepultá-los. Essa é a provocação central do curso “Viver e Morrer em SP: uma história de São Paulo a partir do Cemitério da Consolação”. Dividido em três encontros, o projeto propõe análise das transformações sociais, culturais, sanitárias e urbanísticas da capital paulistana nos séculos XIX e XX, tendo como fio condutor a criação do seu primeiro cemitério público.
“A morte não é apenas um evento biológico, mas uma construção histórica e cultural. Investigar o Cemitério da Consolação é ler a história de São Paulo escrita em pedra, bronze e disputas sociais”, afirma Pareto.
O curso será ministrado pelo professor Lindener Pareto, historiador e doutor em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), conhecido por seu trabalho de divulgação científica no projeto de História Pública Provocação Histórica e no Instituto Conhecimento Liberta (ICL).
Programação
O programa foi estruturado para conectar a teoria sociológica e histórica à prática de campo, dividindo-se em três eixos:
- Aula 1 “Breve história da morte”, 16 de julho. Uma introdução à história das sensibilidades no Ocidente, inspirada em autores como Philippe Ariès. O encontro abordará a transição da "morte domada" medieval para as preocupações higienistas que expulsaram os cemitérios para fora dos muros das cidades europeias.
- Aula 2 “Viver e Morrer em São Paulo”, 23 de julho. Foco no crescimento vertiginoso de São Paulo no século XIX. A aula debate o movimento higienista e os embates políticos e sanitários que culminaram na fundação do Cemitério da Consolação, em 1858, acompanhando a evolução da cidade de vila à metrópole.
- Aula 3 “Visita guiada ao Cemitério da Consolação”, 1º de agosto. Uma imersão prática na necrópole, encarada aqui como um verdadeiro museu a céu aberto e documento histórico. O grupo analisará o imponente pórtico de Ramos de Azevedo e visitará jazigos de grandes personalidades da história e da cultura brasileira.
Roteiro da visita
O trabalho de campo cruzará os caminhos da elite cafeeira, do modernismo e da política nacional. Entre os túmulos visitados estão o monumental Mausoléu Matarazzo (o maior da América Latina), e as sepulturas de ícones como Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Luiz Gama, Monteiro Lobato, Washington Luís e a Marquesa de Santos. Ao final, os participantes farão uma reflexão coletiva sobre o direito à memória: quem a história escolhe lembrar e quem é esquecido.
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