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VOCÊ PODE NÃO TER NOTADO, MAS A ECONOMIA MELHOROU E MUITO

17/09/2026

  

Artigo de Juliane Furno, professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Dossiê “Os petroleiros e as eleições de 2026”
Texto extraído do Jornal “Petróleo dos brasileiros”

Tenho me deparado com pessoas repetindo, sistematicamente, um discurso de que a economia brasileira piorou e, no limite, está igual a como estava antes. Acho que aqui comparecem duas coisas: primeiro, a nossa percepção individual não pode ser tomada como representativa da realidade inteira e, segundo, há uma esforço sistemático dos principais meios de comunicação e dos economistas de mercado, de esconder os verdadeiros números da economia, aqueles que importam, de fato, à maioria dos brasileiros e não aos investidores financeiros.

Talvez o mais importante para nós, trabalhadores, seja que estamos vivendo a menor taxa de desemprego da nossa história, com apenas 5,2% da população que procura emprego desempregada. Quando o desemprego caí, a tendência é que nossos salários subam, pela famosa lei da oferta e da procura. E isso é um dado comprovado. Hoje a renda média dos brasileiros é de R$ 3.762 reais, também a maior já registrada. Aliás, de 2022 para 2025 a renda média dos brasileiros subiu 34%, puxada principalmente pelo crescimento do emprego formal e pela política de valorização do salário mínimo, que foi reconstruída em 2023. Nos governos Temer e Bolsonaro o salário mínimo não teve um real de aumento real, apenas recompôs a inflação.

A inflação é outro tema importante e, principalmente, a inflação de alimentos, que é o que mais pesa na nossa vida. Entre 2018 e 2022 (governo Bolsonaro) a inflação de alimentos foi de 46,24%. Isso quer dizer que uma cesta de alimentos que custava R$ 100 em 2018 passou a custar R$ 146,24 em 2022. E isso em um contexto de queda dos salários. No mesmo período, a inflação geral foi de 26,94%. Portanto, a inflação de alimentos subiu aproximadamente 19,3 pontos percentuais acima da inflação média geral!

Já no governo Lula a inflação de alimentos ficou em 17,12%, contando até junho de 2026. Dessa vez o preço dos alimentos subiu menos que a inflação média geral, que foi de 18,19%. Ou seja, estamos em uma situação econômica muito favorável: houve expansão dos gastos sociais; a inflação está baixa; o PIB voltou a subir; o desemprego está baixo e a renda está em alta. Falta muita coisa para que a nossa vida mude substancialmente, mas, nesse caso, o que precisamos é avançar garantindo esses avanços, e não o contrário.

O programa econômico que Flávio Bolsonaro apresenta como alternativa para 2026 defende um verdadeiro “tesouraço” nos gastos públicos, o que reduz o consumo e por conseguinte o investimento e o emprego. Ele também já falou em revisar a Previdência e aprofundar a reforma trabalhista de 2017. Na prática, isso significa menos recursos para políticas sociais, mais insegurança para quem se aposenta e menos direitos para quem trabalha, exatamente a fórmula que, no passado recente, gerou desemprego recorde e queda de renda.