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Dossiê “Os petroleiros e as eleições de 2026”
Texto extraído do Jornal “Petróleo dos brasileiros”
Até 2020, a Petrobrás produzia 99% dos derivados de petróleo refinados no Brasil. Com a redução dos investimentos e as privatizações realizadas no governo de Jair Bolsonaro, a participação da estatal na produção de combustíveis caiu para 83%. As refinarias privadas não deram conta da demanda nacional e o país teve que aumentar em 15% a importação de derivados, com impacto direto no bolso dos consumidores.

A população mais prejudicada foi a do Norte e Nordeste, onde a gasolina, o diesel e o gás de cozinha têm os preços mais caros do país. Não por acaso é nestas regiões que estão localizadas as refinarias da Bahia (Rlam), do Amazonas (Reman) e do Rio Grande do Norte (RPCC), privatizadas entre 2021 e 2022.
As privatizações interromperam o projeto nacional de desenvolvimento e de soberania energética, que visava à autossuficiência na produção de derivados. A importação de diesel, por exemplo, cresceu 101% entre 2016 e 2022, nos governos de Michel Temer e Bolsonaro.
A fragmentação do parque de refino brasileiro deixou o país ainda mais vulnerável às oscilações do preço do barril de petróleo, como está acontecendo agora durante a guerra no Oriente Médio. Entre 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, e 01 de agosto, os preços na refinaria baiana dispararam, como revela o Dieese.
Nesse período, a refinaria privatizada aumentou em 72,2% o litro do diesel e em 56,1% o litro da gasolina, enquanto na Petrobrás, o reajuste foi de 0,9% e 2,1%, respectivamente. Já o GLP (gás de cozinha) subiu 13,8% na refinaria baiana e 0% na Petrobrás.
O mesmo acontece no Amazonas, onde a refinaria também foi privatizada. Levantamento feito pelo Dieese na segunda semana de setembro mostrou que nas refinarias da Petrobrás o litro do diesel foi vendido a R$ 4,47, enquanto na refinaria de Manaus, custava R$ 7,90, ou seja, 60% mais caro.
“Um dos argumentos utilizados para justificar a privatização foi de que a venda das refinarias aumentaria a concorrência e reduziria os preços. O que aconteceu foi exatamente o contrário. Somente após a retomada dos investimentos da Petrobrás no governo Lula, houve uma melhora no mercado nacional de derivados, com o aumento da capacidade de produção das refinarias estatais”, explica o economista Cloviomar Cararine, pesquisador do Dieese.