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Edu: símbolo de luta e resistência hoje e sempre

05/06/2025

  

Edu: símbolo de luta e resistência hoje e sempre

Edu (de agasalho branco) na greve de 1995, em frente à RPBC. Foto: Arquivo ABCP.

Essa é a lição de tantos/as lutadores/as da Categoria Petroleira. Nossa homenagem a todas essas pessoas

Rosângela Ribeiro Gil
Redação ABCP

Exatamente há quatro anos, em 6 de junho de 2021, perdíamos o grande companheiro Eduardo Jenner Ozório, o Edu. Mais uma vítima da Covid-19. Ou seja, Edu foi mais uma vítima da necropolítica do então governo Bolsonaro.

O que é Necropolítica
Conceito cunhado por Achille Mbembe, refere-se à capacidade de um estado ou de um grupo social de exercer poder sobre a vida e a morte de outros, com a possibilidade de "deixar morrer" ou "fazer morrer" determinados grupos ou populações. É uma forma de política que, ao invés de focar na gestão da vida (como na biopolítica), centra-se na gestão da morte e na definição de quem deve viver e quem deve morrer. 

Ao prestar essa reverência ao Edu, estendemos a todas as pessoas lutadoras que contribuíram para a história combativa da Categoria Petroleira e que perdemos nos últimos anos...Miro, Vicentão, Carcavalli, Argemiro, Valdemar e tantos/as outros/as. Companheiros e companheiras que fizeram ou estiveram em lutas emblemáticas em defesa do Sistema Petrobrás e contra a privatização, mas, principalmente, porque lutaram pela vida e pela dignidade. Nunca abaixaram a cabeça para as pressões da alta direção da Petrobrás, e seus asseclas, na hora de retaliar, punir e perseguir. Seguiram com a cabeça erguida e firmes na ação coletiva por direitos e respeito.

Edu entrou na Petrobrás em 1987. Trabalhou no almoxarifado como técnico de bens e serviços na RPBC. Além de profissional competente, sua trajetória, na empresa, foi marcada pela sua visão política e humana. Participou de todas as lutas da categoria. Nunca fugiu dos embates, mesmo nos momentos mais difíceis de perseguição, punição e demissão. Foi demitido duas vezes, e nas duas foi reconhecido o seu direito à reintegração.

Como descreve o aposentado petroleiro Sérgio Salgado: “Edu surgiu no campo do sindicalismo petroleiro no momento certo: exatamente quando afloravam novas lideranças que vinham substituir líderes que sofreram as violências da ditadura imposta por grupos militares unidos à direita, em 1o de abril de 1964. Sua visão política estava adiante do seu tempo. Por conta desse “pequeno” detalhe enxergou até com certa facilidade que também o novo campo sindicalista (que substituía o sindicalismo ditado pelo partidão) já estava minado, assim Edu virou novamente mais à esquerda.”

Contra o sindicalismo burocratizado, Edu foi “chão de fábrica” do começo ao fim. A firmeza na luta significou a Edu duas demissões-punições, mesmo assim não se calou, não desistiu da luta, nem abandonou companheiras e companheiros:

A primeira vez, em 1991, durante o Governo de Fernando Collor, por participar de uma greve que buscava reposição de perdas salariais e reajuste salarial. A segunda, após a greve histórica de 1995, uma das maiores evidências de resistência da classe trabalhadora e que barrou a privatização da Petrobrás, foi demitido junto com 19 trabalhadores da refinaria. Em 2004, foi reintegrado pela Lei de Anistia. Durante esse hiato sobreviveu graças ao fundo de greve da Associação Beneficente e Cultural dos Petroleiros (ABCP). (Sindipetro-LP)

Edu apoiou a criação do instrumento coletivo de apoio e solidariedade, em 1991, o Fundo de Greve ou Fundo de Mobilização. Hoje, a ABCP. Foi amparado durante seu afastamento da empresa, mas, tão logo foi reintegrado, devolveu ao fundo os valores que lhe foram emprestados. Coerência, acima de tudo.

Se aposentou em 2016, mas não abandonou a luta. “Suas últimas participações se deram já como aposentado, defendendo também nosso fundo previdenciário, acompanhando a luta contra o chamado Novo Plano Petros que hoje é o grande responsável pelos nossos déficits”, relembra Sérgio Salgado.

A história do companheiro não faz parte do passado, ela está também no presente. A Petrobrás que o puniu, perseguiu e demitiu continua a mesma, e até mais perversa. Vemos isso com muita evidência na luta do setor administrativo em defesa do teletrabalho.   

Lembrar da vida de Edu e de tantos/as outros/as lutadores/as da nossa categoria é ensinamento. Abaixar a cabeça, fugir da ação ou fingir que a parada não é com a gente é tudo o que a alta direção da Petrobrás quer para continuar tirando direitos, piorando as condições de trabalho e tentar transformar a Categoria Petroleira num objeto descartável.

A Petrobrás não precisa ser desumana para lucrar. A Petrobrás não precisa ser antidemocrática para distribuir altos dividendos para os acionistas. A Petrobrás precisa ser nossa, da sociedade brasileira e seguir valores nobres e humanos.

Se queremos e merecemos tudo isso, sigamos a lição de Edu e outros/as companheiros/as: nunca fugir à luta.