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Um símbolo de memória, denúncia e ação no coração da cidade
Rosângela Ribeiro Gil
Redação da ABCP
A violência contra a mulher avança de forma alarmante. Diante dessa realidade, o Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras e a Realejo Livros se unem para lançar, na Baixada Santista, uma mobilização que transforma indignação em ação concreta.
A iniciativa integra a campanha Feminicídio Zero e marca também os 25 anos da Realejo, livraria de rua que, há décadas, ocupa em Santos um lugar de encontro, pensamento crítico e circulação de afetos. Agora, esse espaço cultural se torna também ponto de resistência e conscientização.
O marco principal da campanha será a transformação do parklet em frente à livraria, no Gonzaga, no primeiro Banco Vermelho da área comercial do bairro – espaço público ressignificado para lembrar mulheres vítimas de feminicídio, alertar sobre a violência de gênero e divulgar canais de denúncia, como o Disque 180.
Mais do que um banco vermelho: um chamado à cidade
O Banco Vermelho é parte de movimento internacional que ocupa os espaços urbanos com memória e denúncia. Ao pintar de vermelho um local de convivência, a campanha rompe o silêncio que ainda cerca a violência doméstica e o feminicídio.
Não é apenas uma intervenção visual, mas um gesto político, social e humano. É como se fosse um lembrete permanente de que cada estatística representa uma vida interrompida, uma história silenciada, uma ausência irreparável.
Ao trazer esse símbolo para uma das regiões mais movimentadas de Santos, a campanha quer colocar o tema no centro do debate público.
Cultura, literatura e espaço público como ferramentas de transformação
A escolha da Realejo Livros como ponto de partida da ação carrega outro significado importante para a cena cultural da cidade. Há 25 anos, a livraria atua como espaço de formação, diálogo e acesso à cultura.
Em tempos de violência estrutural, lugares assim tornam-se ainda mais necessários, porque combater a violência contra a mulher não é apenas agir quando o crime acontece; é também construir uma cultura capaz de prevenir, conscientizar e transformar.
A literatura tem papel essencial nesse processo. Ela amplia a escuta, humaniza as estatísticas, rompe silêncios e dá forma às experiências que tantas vezes foram ignoradas ou invisibilizadas. Ler também é compreender. Escrever também é resistir.
A força das mulheres que escrevem, narram e rompem o silêncio
Outro eixo importante da mobilização é a valorização do protagonismo feminino no mercado editorial. O crescimento da presença de mulheres escritoras, poetisas e pensadoras nas estantes, nos debates e nos catálogos é também um movimento de emancipação.
Quando uma mulher escreve, ela não apenas conta uma história. Ela abre caminho para que outras se reconheçam, se fortaleçam e encontrem linguagem para nomear o que viveram. Em muitas páginas escritas por mulheres, outras mulheres encontram coragem para romper ciclos de abuso, medo e silêncio.
Fortalecer essas vozes em um espaço físico, cultural e público é fortalecer também a comunidade feminina.
Números mostram: não é possível esperar
A urgência desta campanha se confirma em dados recentes.
Na Baixada Santista, os registros de violência contra a mulher – incluindo agressões, ameaças e feminicídios – cresceram quase 20% nos dois primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
No Estado de São Paulo, foram registrados 86 casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, o maior número do país. Em 2025, o estado já havia alcançado o pior índice da série histórica, e a escalada continua.
No Brasil, entre janeiro e março de 2026, foram contabilizadas 399 vítimas de feminicídio – o equivalente a uma morte a cada 5 horas e 25 minutos.
Esses números não podem ser tratados como rotina. Eles exigem resposta coletiva, presença pública e compromisso social.
Santos pode ser também uma cidade de proteção e memória
A proposta da campanha é simples, mas poderosa: transformar um espaço cotidiano em símbolo permanente de consciência, acolhimento e enfrentamento à violência.
Em vez do silêncio, visibilidade.
Em vez da indiferença, mobilização.
Em vez do esquecimento, memória.
Como afirmam os organizadores: “Santos sempre foi uma cidade de vanguarda e diálogo. Agora, precisamos que ela seja, acima de tudo, uma cidade de proteção e memória. Unir a força transformadora dos livros a essa causa nos permite usar a cultura como um escudo e uma ferramenta de conscientização. Queremos transformar esse ponto de convivência em um símbolo vivo de luta, tirando os dados frios dos relatórios e trazendo-os para o centro do debate público.”
Como apoiar a mobilização
Para tirar o projeto do papel, a campanha convoca moradores, comércios, empresas e apoiadores da região a contribuir. Os recursos arrecadados serão destinados a três frentes principais:
- divulgação da campanha e da mobilização;
- reforma e pintura do parklet em frente à livraria;
- pintura de frases de conscientização e do número do Disque 180 no espaço.
Faça parte
Toda contribuição importa. Toda participação fortalece.
Doe qualquer valor via PIX
Chave PIX: CNPJ 04.440.268/0001-03
Banco: Itaú
Titular: Realejo Livros
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