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Brasil corre atrás de debate e práticas já predominantes em países da América Latina e da Europa, principalmente
Rosângela Ribeiro Gil
Redação da ABCP
O debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil não é isolado nem radical: ele faz parte de uma tendência internacional de valorização do tempo de descanso, da saúde do trabalhador e da produtividade sustentável. Em vários países, a discussão sobre jornada de trabalho avançou justamente porque ficou evidente que trabalhar seis dias por semana, com apenas um dia de folga, limita a convivência familiar, prejudica a saúde física e mental e reduz a possibilidade de estudo, lazer e participação social.
Na América do Sul, o exemplo mais citado é a Colômbia, que aprovou a redução gradual da jornada de 48 para 42 horas semanais, sem redução salarial. Embora a legislação colombiana ainda permita a distribuição da jornada em cinco ou seis dias, o país demonstra que é possível reduzir horas de trabalho de forma planejada, com transição e adaptação das empresas. O Chile também aprovou a chamada Lei das 40 Horas, com redução progressiva da jornada até 40 horas semanais, preservando salários. Esses casos mostram que a redução do tempo de trabalho já deixou de ser uma pauta distante e passou a ser uma política concreta em países próximos ao Brasil.
Na Colômbia
A partir de 15 de julho, entra em vigor na Colômbia a última etapa da lei aprovada em 2021, que reduz gradualmente a jornada semanal dos trabalhadores assalariados. Com isso, o limite máximo passará a ser de 42 horas por semana, encerrando um processo de diminuição de seis horas implementado ao longo de cinco anos. Ou seja, as jornadas passarão de 48 para 46 horas semanais. (ICL Notícias)
Na América Latina, México e Chile também adotaram ou aprovaram reformas para diminuir a carga horária semanal de até 40 horas semanais. Essas mudanças, em geral, foram feitas de maneira gradual, justamente para permitir reorganização produtiva sem cortar salários. Mesmo quando não extinguem expressamente a escala 6x1, elas apontam para uma direção clara: o modelo de longas jornadas e pouco descanso está sendo revisto.
Na contramão da tendência global que busca a redução das horas trabalhadas, está a Argentina. O país acaba de aprovar reforma do presidente de extrema-direita Javier Milei que flexibiliza as relações de emprego e permite o aumento da jornada diária para até 12 horas.
Na Europa, a escala de seis dias de trabalho é muito menos comum. As regras da União Europeia estabelecem limites mínimos de descanso e impõem teto de 48 horas semanais, incluindo horas extras, mas muitos países adotam jornadas médias menores. Países como Holanda, Dinamarca, Alemanha, Áustria, Noruega e França apresentam jornadas médias semanais inferiores às praticadas no Brasil, e a semana de cinco dias é o padrão predominante. Além disso, experiências com semana de quatro dias vêm sendo testadas em países como Reino Unido, Alemanha, Portugal, Islândia, França e Espanha, reforçando a ideia de que produtividade não depende de manter o trabalhador ocupado por mais dias.
Essas experiências internacionais indicam que o fim da escala 6x1 deve ser entendido como uma medida de modernização das relações de trabalho. A redução da jornada não significa trabalhar menos por descompromisso; significa distribuir melhor o tempo, preservar a saúde, reduzir o esgotamento e criar condições para que o trabalhador tenha vida além do emprego. Uma sociedade que garante descanso adequado tende a ter trabalhadores mais saudáveis, mais motivados e mais produtivos.
Defender o fim da escala 6x1 é defender o direito ao descanso, à família, ao estudo, à cultura e à cidadania. O Brasil já reduziu jornadas no passado e pode avançar novamente, aprendendo com países que adotaram transições graduais e mantiveram a proteção salarial. A experiência internacional mostra que é possível conciliar desenvolvimento econômico com dignidade no trabalho.
Por isso, o fim da escala 6x1 não deve ser visto como ameaça, mas como passo necessário para atualizar o mundo do trabalho brasileiro. Em vez de prender milhões de pessoas a uma rotina exaustiva, o país pode construir um modelo mais justo, humano e eficiente, no qual o crescimento econômico caminhe junto com qualidade de vida.
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